sexta-feira, 25 de março de 2011

A Importância do Psicólogo

Este texto não tem como intenção excluir as outras possibilidades de atuação de um psicólogo ao falar sobre a importância do psicólogo clínico, visto que este profissional pode atuar em hospitais, empresas, instituições, universidades, escolas, etc.

Há de se considerar a hipótese de que grande parte das pessoas acredita ser o psicólogo um “médico da cabeça”. É também um estigma carregado pela profissão que psicólogo é para os loucos. Temos que pensar antes disso o que é ser louco e o que é ser normal. Para definir o que é louco, há de se definir o que é normal. Este não é o intuito deste escrito, mas, como diz Caetano Veloso “visto de perto ninguém é normal” (fica a dica).

Há outro fator importante a ser considerado. A psicologia é uma ciência que, felizmente ou infelizmente, carrega consigo características de um modelo médico (essa visão tem sido mudada aos poucos. Ainda bem!). Quantas são as pessoas que consultam um médico antes de ficarem doentes? Quantas são as pessoas que procuram um médico com o intuito da prevenção? Acho que uma minoria.

Voltando essas questões para o âmbito da psicologia, quantas são as pessoas que desejam procurar um psicólogo e não o fazem por considerarem o psicólogo um médico para os loucos? Fazer isso seria levar em conta a própria loucura e ninguém quer assumir para si a própria “insanidade”. Mas fica a questão: o que seria insanidade e sanidade? Isso nem Freud conseguiu explicar (e olha que explicou e ajudou a explicar muitas coisas).

O fato é que não se precisa procurar um psicólogo apenas quem está “doente da cabeça”, como diria o senso comum. As pessoas (todas elas) vivem conflitos dentro de si e o psicólogo é o profissional que pode auxiliá-las a encontrar a solução para tais conflitos. Quem nunca teve dúvidas na vida? Uns as vivem mais, outros menos.

O psicólogo não é um bruxo que vai resolver tudo na vida de alguém. Mas no setting terapêutico ele instiga o sujeito a pensar e repensar situações de sua vida, através de técnicas que essa ciência se esforça em aperfeiçoar. E dá resultados! Não é preciso “chegar ao fundo do poço” para se procurar um psicólogo.

O mais interessante em uma situação de psicoterapia é quando o próprio cliente procura o psicólogo. Isso pode ser um indicador de sua “sanidade” (entre aspas porque não existe sanidade nem insanidade). Isso também pode ser um indicador do desejo de uma mudança. Muitas pessoas tem medo de mudar, pois mudança gera incertezas e ameaças de sair da zona de conforto. Quando as pessoas querem mudar e não sabem ao certo o caminho a seguir (o que é freqüente), é no que se dá a importância do trabalho do psicólogo. A partir do diálogo com um especialista ela pode encontrar as respostas que procura para sua vida. A partir desse diálogo ela pode entrar em contato consigo mesma em busca do autoconhecimento, tão necessário em uma sociedade em que as pessoas só sabem se concentrar, entre outras coisas, nas contas a pagar e em manter o emprego.

O diálogo com um especialista é diferente de um diálogo com amigos, parentes, etc. É um diálogo que possui o intuito de gerar mudança. Não que uma conversa com pessoas conhecidas não ajude alguém a mudar. Mas o diálogo com pessoas conhecidas não leva em consideração apenas o sujeito que quer mudar. O diálogo com o psicólogo, embora assim como o diálogo com pessoas conhecidas, tem afetividade, mas possui características que o diálogo com conhecidos não tem. O psicólogo (o bom psicólogo) busca ao máximo ser imparcial, neutro.

É muito importante termos pessoas com quem contar. Nossos pais, amigos, irmãos, etc., nunca serão imparciais conosco como um psicólogo é. É claro que um psicólogo leva em consideração, além de sua técnica, suas experiências de vida (o que não o torna 100% imparcial, mas o aproxima disso). Mas ele (o bom psicólogo, repito) sempre levará em consideração o sujeito sui generis que se lhe apresenta.

É muito importante termos relacionamentos com as pessoas. Nossos pais, amigos, avós, vizinhos, colegas de trabalho, enfim, eles sempre tem algo a dizer e podemos muito aprender com eles. Só que há coisas que não queremos ou não podemos conversar com pessoas queridas. E isso nem adianta insistir. Então, eis que aparece a figura de um profissional que possa ouvir, ter empatia, ser autêntico: o psicólogo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A Criança Dentro De Nós

O texto abaixo eu escrevi no dia 01 de março de 2011. Inspirei-me, para escrevê-lo, no que uma professora minha da faculdade, Lumena Celi, disse: "a maturidade dos adultos diminui sua espontaneidade". O assunto da aula era sobre Moreno, o pai do psicodrama. Dedico o texto ao meu amigo Marcus Vinícius, que foi o primeiro a lê-lo. Segue...

Acordar cedo pela manhã e não conseguir enxergar nada no espelho, além de nossos próprios olhos pedindo “pelo amor de Deus, continue sonhando”. Pois é, o tempo passa. E muitos dos sonhos que nós tivemos quando éramos pequenos começam a diminuir. Não basta lembrarmos desses tempos e nos colocarmos a lamentar por coisas que gostaríamos de ter feito e não fizemos. Assim como na época que esses sonhos eram reais e estavam vivos na nossa mente e nós conseguíamos vivê-los, temos de tentar recuperá-los. Não basta lembrar que um dia sonhamos, temos que viver estes sonhos novamente. Os sonhos alicerçam as nossas vidas, nossos desejos e fazem aquilo que somos ou o que desejamos ser.

Isto faz parte de uma luta para não deixarmos morrer a criança que existe dentro de cada um de nós. Quando nos tornamos adultos perdemos muito da espontaneidade, sinceridade e sensibilidade que tínhamos na infância. Por que isto deveria ser um privilégio das crianças? A sociedade cobra certos tipos de conduta e acredita que deixar viva a criança dentro de si é agir como um adulto infantilizado ou imaturo, ou os dois.

Acredito que ser maduro é não estar aberto ao novo. Alguém que se diz maduro poderia muito bem dizer: não vou fazer isso, outro dia eu fiz e me dei mal. Essa frase mostra duas coisas, primeiro que a pessoa que a diz tem a capacidade de aprender com seus próprios erros. Mas segundo, pode mostrar que ela tem medo de arriscar ir por outro caminho. As pessoas, em geral, se preocupam muito com os resultados, quando na verdade o mais importante é o processo que leva a determinado fim. O excesso de confiança na própria experiência impossibilita, às vezes, que possamos adquirir mais experiência, nos entregando ao que é novo. A criança não teme experiências novas, ela arrisca. Quando adultos a “experiência” mostra o que deve ou não ser feito. Daí não tentamos novos caminhos.

Não se trata de sair por aí chorando quando algo lhe é tomado, dizendo o que pensa e o que sente para todo mundo ou chamando alguém de feio ou bonito só porque achamos isso. Não se trata também de desprezar a sua própria experiência. Deixar viva a criança dentro de si é ser capaz de sempre estar aberto ao inédito, de ser espontâneo, criativo, mantendo a capacidade de sonhar. A vida e a sociedade já nos restringem demais. Por que fazer isso com nós mesmos? Os caminhos da vida são indicados pela experiência e pela maturidade. A criança dentro de nós busca os atalhos.

Falando nisso, quais são os seus sonhos? O que você quer ser quando “crescer”? Quais os caminhos pelos quais você ainda quer percorrer? A criança dentro de você está viva? Está dormindo? Tirou férias? Ou está morrendo aos poucos sem que você tenha se dado conta? Lembre-se: sempre há tempo.



Abaixo o vídeo de uma música que tenho ouvido bastante...



http://www.youtube.com/watch?v=pcOJu0g8dbw

Abraço!